\( \newcommand{\abcp}[3]{\frc{#1+\sqrt{#2}}{#3}} \newcommand{\chao}[1]{\left\lfloor #1 \right\rfloor } \newcommand{\nPr}[2]{{}^{#1}A_{#2} } \newcommand{\combin}[2]{{}^{#1}C_{#2} } \newcommand{\cmod}[3]{#1 \equiv #2\left(\bmod {}{#3}\right)} \newcommand{\frc}[2]{\displaystyle\frac{#1}{#2}} \newcommand{\mdc}[2]{\left( {#1},{#2}\right)} \newcommand{\mmc}[2]{\left[ {#1},{#2}\right]} \newcommand{\cis}{\mathop{\rm cis}} \newcommand{\ImP}{\mathop{\rm Im}} \newcommand{\ReP}{\mathop{\rm Re}} \newcommand{\sen}{\mathop{\rm sen}} \newcommand{\tg}{\mathop{\rm tg}} \newcommand{\cotg}{\mathop{\rm cotg}} \newcommand{\cosec}{\mathop{\rm cosec}} \newcommand{\cotgh}{\mathop{\rm cotgh}} \newcommand{\cosech}{\mathop{\rm cosech}} \newcommand{\sech}{\mathop{\rm sech}} \newcommand{\sh}{\mathop{\rm sh}} \newcommand{\ch}{\mathop{\rm ch}} \newcommand{\th}{\mathop{\rm th}} \newcommand{\senEL}[1]{\mathop{\rm sen}^{#1}} \newcommand{\tgEL}[1]{\mathop{\rm tg}^{#1}} \newcommand{\cotgEL}[1]{\mathop{\rm cotg}^{#1}} \newcommand{\cosecEL}[1]{\mathop{\rm cosec}^{#1}} \newcommand{\shEL}[1]{\mathop{\rm sh^{#1}}} \newcommand{\chEL}[1]{\mathop{\rm ch^{#1}}} \newcommand{\thEL}[1]{\mathop{\rm th^{#1}}} \newcommand{\cotghEL}[1]{\mathop{\rm cotgh^{#1}}} \newcommand{\cosechEL}[1]{\mathop{\rm cosech^{#1}}} \newcommand{\sechEL}[1]{\mathop{\rm sech^{#1}}} \newcommand{\senq}{\senEL{2}} \newcommand{\tgq}{\tgEL{2}} \newcommand{\cotgq}{\cotgEL{2}} \newcommand{\cosecq}{\cosecEL{2}} \newcommand{\cotghq}{\cotghEL{2}} \newcommand{\cosechq}{\cosechEL{2}} \newcommand{\sechq}{\sechEL{2}} \newcommand{\shq}{\shEL{2}} \newcommand{\chq}{\chEL{2}} \newcommand{\arctg}{\mathop{\rm arctg}} \newcommand{\arcsen}{\mathop{\rm arcsen}} \newcommand{\argsh}{\mathop{\rm argsh}} \newcommand{\argch}{\mathop{\rm argch}} \newcommand{\argth}{\mathop{\rm argth}} \newcommand{\Var}{\mathop{\rm Var}} \newcommand{\vect}[1]{\overrightarrow{#1}} \newcommand{\tr}[1]{ \textnormal{Tr}\left({#1}\right)} \newcommand{\C}{\mathbb{C}} \newcommand{\E}{\mathbb{E}} \newcommand{\H}{\mathbb{H}} \newcommand{\I}{\mathbb{I}} \newcommand{\K}{\mathbb{K}} \newcommand{\N}{\mathbb{N}} \newcommand{\P}{\mathbb{P}} \newcommand{\Q}{\mathbb{Q}} \newcommand{\R}{\mathbb{R}} \newcommand{\Z}{\mathbb{Z}} \newcommand{\til}{\sim} \newcommand{\mdc}{\mathop{\rm m.d.c.}} \newcommand{\mmc}{\mathop{\rm m.m.c.}} \newcommand{\vect}[1]{\overrightarrow{#1}} \newcommand{\dfrc}{\displaystyle\frac} \newcommand{\Mod}[1]{\ (\mathrm{mod}\ #1)} \newcommand{\arc}[1]{\overset{\frown}{#1}} \)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O virgulatório

 


Isto é um meme que já me apareceu muitas vezes nos últimos 10 anos. Desde mensagens de ex-colegas e ex-alunos a partilhas em redes sociais.
Só que recentemente, deu-me mesmo jeito usá-lo.
Baptizei-o de 'virgulatório'.

Pode ser que venha a ser usado mesmo neste blog...
Em vez de escrever 
\[ x=\left(x_1,\cdots,x_n\right) \] Escrevo \[ x = \left( \overset{n}{\underset{i=1}{\Huge ,}} x_i \right) \] Vou ter é de ajustar o $\Large\LaTeX$ para ficar mais bem centrado verticalmente.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A fórmula do 'haversine'

Vamos lá deduzir a fórmula da imagem:
Consideremos um triângulo esférico, sobre uma esfera com três vértices:
  • Polo Norte $N$
  • Vértice $A$: Latitude $\phi _{1}$, Longitude $\lambda _{1}$
  • Vértice $B$: Latitude $\phi _{2}$, Longitude $\lambda _{2}$
As amplitudes dos três lados deste triângulo são:
  • Lado $a$ (oposto a $A$):$90^\circ - \phi_2$
  • Lado $b$ (oposto a $B$):$90^\circ - \phi_1$
  • Lado $c$ (oposto ao Polo, entre o Ponto 1 e o Ponto 2): $\Delta\lambda = \lambda_2 - \lambda_1$.
Aplicando a Lei dos Cossenos para triângulos esféricos do post anterior ao lado $c$: $$\cos c=\cos a\cos b+\cos A \sen a\sen b$$ $$\Leftrightarrow \cos c=\sen \phi_2\sen\phi_1+\cos (\Delta\lambda)\cos\phi_2\cos\phi_1$$ O comprimento $d$ do arco de amplitude $c$ é $\color{green}d=r\times c$ onde $r$ é o raio daquela esfera. Só que a nossa fórmula ainda não se parece sequer com a da imagem.
Recorrendo à formula $\cos 2\theta= 1-2{\sen}^2\theta$ podemos escrever \[\cos c=1-2{\sen}^2\left(\frc{c}{2}\right)\] \[\cos \left(\Delta\lambda\right)=1-2{\sen}^2\left(\frc{\Delta\lambda}{2}\right)\] e substituir na fórmula que resultou da aplicação da fórmula dos cossenos. $$1-2{\sen} ^{2}\left(\frac{c}{2}\right)=\sen \phi _{1}\sen \phi _{2}+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}\left[1-2{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)\right]$$ $$\Leftrightarrow 1-2{\sen}^{2}\left(\frac{c}{2}\right)=\mathbin{\color{red}\sen \phi _{1}\sen \phi _{2}+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}}-2\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)$$ $$\Leftrightarrow 1-2{\sen}^{2}\left(\frac{c}{2}\right)=\mathbin{\color{red}\cos \left(\phi _{2}- \phi _{1}\right)}-2\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)$$ $$\Leftrightarrow 1-2{\sen}^{2}\left(\frac{c}{2}\right)=\mathbin{\color{red}1-2{\sen}^2\left(\frc{\phi _{2}- \phi _{1}}{2}\right)}-2\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)$$ $$\Leftrightarrow {\sen}^{2}\left(\frac{c}{2}\right)={\sen}^2\left(\frc{\phi _{2}- \phi _{1}}{2}\right)+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)$$ $$\Leftrightarrow c=2\arcsen \left(\sqrt{{\sen}^2\left(\frc{\phi _{2}- \phi _{1}}{2}\right)+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)}\right)$$ $$\Leftrightarrow \mathbin{\color{green}\frac{d}{r}}=2\arcsen \left(\sqrt{{\sen}^2\left(\frc{\phi _{2}- \phi _{1}}{2}\right)+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)}\right)$$ $$\Leftrightarrow d=2r\arcsen \left(\sqrt{{\sen}^2\left(\frc{\phi _{2}- \phi _{1}}{2}\right)+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}{\sen} ^{2}\left(\frac{\Delta \lambda }{2}\right)}\right)$$
haversine é a função \[\text{hav } \theta={\sen} ^2\left(\frac{\theta}{2}\right)\] Que permite reescrever a fórmula com outro aspecto: $$\text{hav }\left(\mathbin{\color{green}\frac{d}{r}}\right)=\text{hav }\left(\Delta\phi\right)+\cos \phi _{1}\cos \phi _{2}\text{hav }\left(\Delta \lambda \right)$$
Bibliografia Abramowitz, M., & Stegun, I. A. (Eds.). (1964). Handbook of mathematical functions with formulas, graphs, and mathematical tables. National Bureau of Standards. pg 78

Triângulos esféricos.

 Recentemente, apareceu-me numa rede social, a fórmula, para a distancia (mais curta) entre dois pontos numa superfície esférica conhecendo as latitudes $\phi$; e as longitudes $\lambda$

Ocorreram-me algumas formas de justificar aquela fórmula.
A mais simples deve ser com triângulos esféricos.
Sobre uma superfície esférica, desenha-se um triângulo $[ABC]$ onde os lados $A$, $B$ e $C$ são arcos de circunferência cujo raio coincide com o da superfície esférica. Por tradição, utilizarei a mesma notação para o vértice $A$ e o ângulo entre os arcos $\arc{AB}$ e $\arc{AC}$. E para simplificar, de forma análoga ao que se faz com triângulos euclidianos, designarei por $a$ a medida(amplitude) do arco oposto a $A$, por $b$ a medida do arco oposto a $B$ e por $c$ a medida do arco oposto a $C$.
O desenho de fundo amarelo foi elaborado hoje de manhã enquanto eu estava no café... (Snack-Bar Pinoco, na Camacha, Madeira).
Assim como a dedução das fórmulas que apresento ao lado.
As deduções nunca me foram mostradas, mas sou capaz de as fazer. As que vou apresentar são um mero exercício de geometria analítica no espaço.
Hoje em dia as fórmulas podem-se consultar online. O que tira um pouco a piada.
Por isso nos meus textos gosto de apresentar algumas justificações (não todas...) e não de pregar a Matemática como uma religião.
Uma vez que vou recorrer a geometria analítica, para perceber o que ando a fazer, é necessário conhecer as fórmulas e propriedades dos produtos escalar usual, produto externo, e já agora o básico de trigonometria. Vou ainda impor que todos os angulos considerados estejam em $]0, 180^0[$
Nestes triângulos são válidas as fórmulas:
Lei dos cossenos:
  • $\cos a=\cos b \cos c + \cos A \sen b \sen c$
  • $\cos b=\cos a \cos c + \cos B \sen a \sen c$
  • $\cos c=\cos a \cos b + \cos C \sen a \sen b$

Lei dos senos (Versão 1): \[\frc{\sen a}{\sen A}=\frc{\sen b}{\sen B}=\frc{\sen c}{\sen C}\]
Lei dos senos (Versão 2): $$\sen A \sen b \sen c = \sen a \sen B \sen c = \sen a \sen b \sen C $$
Uma dedução da lei dos cossenos, via geometria analítica.
Cosidere-se um referencial ortonormado $Oxyz$
Sem qualquer perda de generalidade, consideremos a esfera de raio 1 centrada na origem.
Vamos rodar a esfera por forma que:
  • O vector posição $\vec{u}_A$ do ponto $A$ tem coordenadas $(1,0,0)$
  • O vector posição $\vec{u}_B$ do ponto $B$ tem coordenadas $(\cos c,\sen c,0)$
  • O vector posição $\vec{u}_C$ do ponto $C$ tem coordenadas $(x_C,y_C,z_C)$
Sendo os pontos $A,B$ e $C$, pontos da superfície esférica, os vectores posição têm todos norma euclidiana $1$.
É-me útil conhecer pelo menos a expressões para $x_C$ e $y_C$
As propriendades do produto escalar permitem-me escrever $$\vec{u}_A\cdot\vec{u}_C=x_C$$ e $$\vec{u}_A\cdot\vec{u}_C=\cos b$$ portanto, $$x_C=\cos b$$
O ângulo interno no vértice $A$ é o ângulo entre os planos $OAB$ e $OAC$. Só que este ângulo é também o ângulo entre vectores ortogonais* aos respectivos planos!

Um vector normal a $OAB$ é $(0,0,1)$
Um vector normal a $OAC$ é $\vec{OA}\times\vec{OC}=(0,-z_C,y_C)$ e a norma deste vector é $\sen b$. Então, uma vez mais, graças às propriedades do produto escalar: \[(0,0,1)\cdot(0,-z_C,y_c)=1\times\sen b\times \cos A\] ou seja $$y_C=\sen b\cos B$$ Como a amplitude do ângulo entre os vectores $\vec{u}_B$ e $\vec{u}_C$ é $a$, então :
$$\cos a=\vec{u}_C\cdot\vec{u}_B=\cos b \cos c + \sen c\sen b \cos A $$ Ou seja:$$\cos a=\cos b \cos c + \cos A \sen b \sen c$$ As outras duas fórmulas obtêm-se de forma análoga, fazendo cada um dos outros arcos estar no plano $xoy$.
As fórmulas dos senos (das duas versões) obtêm-se tendo em conta que o volume do paralelipípedo de arestas $\vec{u}_A,\vec{u}_B$, e $\vec{u}_C$ é $$V=|\vec{u}_A\cdot(\vec{u}_B\times\vec{u}_C)|=|\vec{u}_B\cdot(\vec{u}_C\times\vec{u}_A)|=|\vec{u}_C\cdot(\vec{u}_A\times\vec{u}_B)|$$
Agora, tendo estas fórmulas será capaz de deduzir a fórmula inícial deste texto?
Continua no próximo texto...

Figura:Um triângulo esférico desenhado no Geogebra
*Há algum cuidado a ter com estes vectores... deixo esse detalhe ao cuidado do leitor mais curioso.

domingo, 24 de maio de 2026

cis está cientificamente incorrecto?

Este deve ser o texto mais picuinhas deste blog, peço desculpa ao leitor por isso.
 
Recentemente, num grupo no facebook, alguém perguntou se a "notação $\cis(\theta)$" é permitida em exame nacional.
A notação caiu em desuso desde que em 2017/2018 entrou em vigor o programa das metas curriculares para Matemática A, 12º, e nenhuma das versões seguintes voltou a utilizá-la.

No entanto, alguém comentou que a notação está "cientificamente incorrecta" por ser uma abreviatura.

De $\cis (\theta)$ = cos ( $\theta$ ) + i sin( $\theta$ )  )
Perdão?

Esse é o argumento mais facilmente refutável que me apareceu, pois com ele morriam, por exemplo as notações

  • $\lim$ que é abreviatura de limite
  • $\log$ que é abreviatura de logaritmo
  • $\ln$ que é abreviatura de logaritmo natural
  • $\sin$ que é abreviatura de sinus
  • $\cos$ que é abreviatura de cosinus

Nem vou falar de $\exp$.

Dizer que $\cis$ está errado por ser abreviatura é o mesmo que dizer que não se pode escrever $\tan(x)$ e que se exige sempre a escrita por extenso de 'tangente'.

"Científicamente errada" não está!

Que a versão recorrendo à exponencial complexa seja preferível em muitos contextos, compreendo, e até concordo com ela nesses contextos.
Para evitar chatices em avaliações, todos os alunos devem utilizar as notações dos seus professores.
Não estou aqui para discutir picuinhices.
Fora desse contexto, desde que se definam as funções  correctamente, podem até criar e usar a notação que vos apetecer, desde que tenham informado adequadamente todo o público alvo.

Agora vamos lá definir rigorosamente a função $\cis$ de $\R$ em $\C$:

$$ \begin{aligned} \text{cis} \colon \R &\to \C \\ \theta &\mapsto \cos(\theta) + i\sin(\theta) \end{aligned} $$

Pode, e deve, confirmar que a função está bem definida.

A notação $\cis$ foi popularizada por matemáticos, nomeadamente por William Rowan Hamilton (o criador dos Quaterniões) no século XIX.

Eu uso-a quando não quero usar a versão exponencial ( por exemplo, se a exponencial complexa ainda não foi definida ), mas citar-me a mim como justificação é má política académica.

Por exemplo a notação $\cis$ é usada em, 

Transition to Higher Mathematics: Structure and Proof - 2ª edição (2015) — Bob A. Dumas & John E. McCarthy

  • Define explicitamente Cis(θ) (com maiúscula) logo no capítulo de números complexos.
  • Usa de forma consistente ao longo da secção (raízes, operações polares, etc.).
  • PDF aberto e gratuito (pode descarregar: qualquer pessoa pode verificar) em https://www.math.wustl.edu/~mccarthy/SandP2.pdf
Outro exemplo, em francês:
Estou a citar fontes facilmente verificáveis, não quero citar livros que só alguns podem verificar sem gastos extra.

Já que estamos na era das AIs, podem confirmar com elas.
Se é amplamente utilizada? Não.
Se tenciono torná-la a norma? Obviamente não.

A notação exponencial tem muitas vantagens, como por exemplo regras como "a exponencial da soma é o produto das exponenciais" 

E depois de definir a função exponencial complexa, temos uma transição natural.

O que não gosto da notação exponencial, quando não se define antes a função exponencial complexa resume-se a isto:
Não se justifica a um aluno que desconhece séries de potências e equações diferenciais porque se usa justamente o número de Neper (constante de Euler) naquela notação e não outro número real positivo qualquer.
É uma omissão com a qual consigo viver pois desperta a curiosidade de alguns alunos e leva-os a explorar e questionar.

O desuso de $\cis$ não se deve a qualquer erro científico mas sim a preferências educativas, pessoais ou académicas.

Científicas, é que não!

-->
PS: escrito, por mim, em 2013https://cpaulof2.blogspot.com/2013/05/de-uma-equacao-diferencial-ate-relacao.html , com base em algo que fiz em 1995.

domingo, 17 de maio de 2026

Primeiro contacto... com cálculo de variações

Em Outubro de 1998, no último ano da minha licenciatura pré-Bolonha em Matemática, numa cadeira de'operadores integrais' o professor Litvinchuk perguntou-nos durante uma aula se tínhamos aprendido "cálculo de variações".
O nome não me dizia nada.
Tendo em conta que sou matemaníaco, era suposto lembrar-me ao menos do nome, mas não.
O nome não me dizia nada, e eu lembrava-me de todos os temas abordados até ali...
Sendo o professor de origem soviética julguei poder ser um problema de tradução..
Perguntei se não tinha outra designação. Ele olhou para mim meio chateado, e respondeu que não.
Que o título era mesmo aquele. Ficou com a ideia que eu era ignorante.
Tomei nota da designação...
Confirmei que não, que não tinha dado em lado nenhum, e na altura, na biblioteca, confirmei que não tinha estudado o assunto, e infelizmente, também não tinha tempo para estudar aquilo na altura.
Em 2007, na fcul, voltei a ouvir um "como você sabe de Cálculo das variações".
O nome não me era estranho. Lembrei-me da aula com o professor Litvinchuk em que tinha feito a pergunta sobre o assunto. Continuava a não ter tempo, mas ali era crítico.
Pesquisei as cadeiras da fcul e encontrei a cadeira de licenciatura deles que continha o assunto.
Comparando com a minha licenciatura, percebi onde devia ter aprendido aquilo, e mais, fiquei com a impressão que o professor Litvinchuck tinha razão, que era mesmo suposto eu ter aprendido aquilo,
numa cadeira em que quem leccionava era novo, tinha substituído o docente anterior e alterou programa "a seu gosto", tendo me deixado com lacunas que naquele momento faziam falta!

Na versão anterior desse programa também constava outro assunto que não estudei, mas os alunos do ano anterior estudaram: Equações com derivadas parciais (eu confirmei a minha suspeita recentemente).

Estudar aquela versão daquela cadeira de licenciatura na fcul tornou-se importante. Eu precisava daquelas bases! Infelizmente não consegui fazê-lo a tempo. A (desadequada e desnecessária) sobrecarga de trabalhos não me permitia - mas isso não é assunto para aqui.
Eventualmente um dia mais tarde acabei por fazê-lo. Fui autodidacta...

Hoje vou exemplificar um exercício clássico de cálculo das variações, um dos primeiros que resolvi, sem rigor excessivo.
No plano euclidiano $\R^2$, qual é o caminho mais curto entre os pontos de coordenadas $(a,y_a)$ e $(b,y_b)$?
Vamos supor que $a\neq b$.
Sempre me disseram que era a o segmento de recta que unia os pontos, só que a verdade é que nunca tinha visto uma prova.
Parecia ser óbvio...
Se esse caminho for o gráfico de uma função $y$, dependente da variável real $x$, o comprimento é $$\int_{a}^{b} \sqrt{1+y'(x)^2} dx$$ Portanto, quero saber qual é a função $y$ (diferenciável em $[a,b]$) que minimiza este integral.
Simbólicamente: $$\cdot \min \int_{a}^{b} \sqrt{1+y'(x)^2} \, dx \qquad , \quad a \neq b$$ $$\text{em } \mathcal{A} = \left\{ y \in C^1([a, b]) : y(a) = y_a \; ; \; y(b) = y_b \right\}$$ Chamarei a $\mathcal{A}$ o conjunto das soluções admissíveis.

Esta é a minha primeira proposta de resolução:
Considera-se $$f(x, y, y') = \sqrt{1+y'(x)^2}$$ De acordo com a teoria, a solução deste problema satisfaz a $$\boxed{ \begin{aligned} \text{Eq. Euler-Lagrange:} \\ \frac{\partial f}{\partial y}(x, y(x), y'(x)) - \frac{d}{dx} \left( \frac{\partial f}{\partial y'}(x, y(x), y'(x)) \right) = 0 \end{aligned} }$$ (Para saber porquê, ou seja, a prova desta afirmação, sugiro que o leitor mais curioso investigue esta equação)
Vou abreviar a escrita, usando $y'$ em vez de $y'(x)$ e $y$ em vez de $y(x)$. Ora $$\frac{\partial f}{\partial y} = 0 $$ E $$\frac{\partial f}{\partial y'} = \frac{\partial}{\partial y'} \left[ \left( 1 + (y')^2 \right)^{\frac{1}{2}} \right] =$$ $$= \frac{1}{2} \left( 1 + (y')^2 \right)^{-\frac{1}{2}} \cdot 2y' =$$ $$= \frac{y'}{\sqrt{1+(y')^2}}$$ $$\Rightarrow \text{Pela equação de Euler-Lagrange}$$ $$- \frac{d}{dx} \left( \frac{y'}{\sqrt{1+y'^2}} \right) = 0$$ $$\Rightarrow \frac{y'}{\sqrt{1+y'^2}} = \text{constante}$$ Vou designar a constante (real) por $C$ $$\Rightarrow \frac{(y')^2}{1+(y')^2} = C$$ $$\Leftrightarrow (y')^2 = C \left( 1 + (y')^2 \right)$$ $$\Leftrightarrow 0=C + (C - 1)(y')^2 $$ $$\Leftrightarrow (y')^2 = \frac{C}{1 - C} $$ $$\Rightarrow y' = C_1 \qquad ; \quad C_1 \in \mathbb{R}$$ $$\Rightarrow y = C_1 x + C_2 \qquad ; \quad C_1, C_2 \in \mathbb{R}$$ $\text{como } y(a) = y_a \quad \text{e} \quad y(b) = y_b$ temos como calcular $C_1$ e $C_2$ $$\left\{ \begin{aligned} y_a &= C_1 a + C_2 \\ y_b &= C_1 b + C_2 \end{aligned} \right.$$ pela regra de Cramer $${\Rightarrow} \quad C_1 = \frac{\begin{vmatrix} y_a & 1 \\ y_b & 1 \end{vmatrix}}{\begin{vmatrix} a & 1 \\ b & 1 \end{vmatrix}} = \frac{y_a - y_b}{a - b} = \frac{y_b - y_a}{b - a} \qquad \text{(declive)}$$ $$C_2 = \frac{\begin{vmatrix} a & y_a \\ b & y_b \end{vmatrix}}{\begin{vmatrix} a & 1 \\ b & 1 \end{vmatrix}} = \frac{a y_b - b y_a}{a - b} = \frac{y_a b - y_b a}{b - a} \qquad \begin{aligned} &\text{(ordenada} \\ &\text{na origem)} \end{aligned}$$ $$\boxed{ \begin{aligned} &\therefore y(x) = \frac{y_b - y_a}{b - a} x + \frac{y_a b - y_b a}{b - a}, \text{com } a\leq x \leq b \end{aligned} }$$ Ou seja, o caminho mais curto é o segmento de recta que une os pontos $(a, y_a)$ e $(b, y_b)$
Estas notas foram escritas ontem numa folha de papel, num café, fotografadas com o meu smartphone e convertidas para $\LaTeX$ pelo google Gemini

sábado, 9 de maio de 2026

Sobrecarga Artificial.

 Sabendo que a inteligência artificial digitaliza e converte os meus textos manuscritos para formatos publicáveis abriu-me novas portas.

Posso ressuscitar o blog Zona Exacta. 

Só que... estamos na era da Inteligência Artificial. Acabo a debater comigo, o que vale a pena publicar e o que pode ser transformado em lucro financeiro. É que estou parado à quase dois anos, só a ter despesas e isto torna-se incomportável.

Tal como as minhas dores.

Ao tentar digitalizar textos com grok, às vezes  choco com um aviso de que está sobrecarregado e tenho de esperar OU pagar para ter acesso a uma versão que me dê prioridade.

Há outras inteligências artificiais, só que isto de dar prioridade a quem paga, o que até se percebe, alguem tem de pagar as contas da inteligência Artificial, fez-me ver algo.

Nessa sobrecarga, há certamente muito mau uso, e quem sou eu para dizer que o meu uso é melhor do que o de outros?

Eu faço a maioria dos meus desenhos à mão. (Podem consultar o meu Deviant Art)
Alguns, eu gostaria que a AI, os pintasse e fizesse o trabalho que consome tempo e tedioso, como pintar. 

Será esse o melhor uso para a AI?

O uso de AI tem de ser optimizado. Temos de coexistir com ela e não ser substituídos por ela.

Banir o uso de AI não é solução. Substituir pessoas também não.
Há ainda algo que não vi. O verdadeiro custo da AI. Não falo de economia, falo de impacto ambiental, consumo energético, e custos humanos.

Eu ia falar de outra coisa, só que as sobrecargas do Grok sugeriram-me que pensasse melhor na forma de usar inteligência Artificial.

Estou num novo mundo, e eu quero poder escrever e ser lido sem estar a fazer concorrência à AI.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Rumo à dimensão infinita (I)

Seja $\displaystyle{\left( {A_k } \right)_{k = 1, \cdots ,n}} $ uma família finita de conjuntos ( portanto $n\in\N_1$ )

O produto cartesiano desses conjuntos, define-se assim


\[ A_1 \times \cdots \times A_n = \left\{ {\left( {a_1 , \cdots ,a_n } \right);a_k \in A_k ,k = 1, \cdots ,n} \right\} \] E se os $A_k$ forem todos um mesmo conjunto $A$, até se simplifica a notação para $A^n$
Isto é: \[ A^n = A \times \cdots \times A = \left\{ {\left( {a_1 , \cdots ,a_n } \right);a_k \in A,k = 1, \cdots ,n} \right\} \] Por exemplo, \[ \C^3 = \left\{ {\left( {z_1 ,z_2 ,z_3 } \right);z_k \in \C,k = 1,2,3} \right\} \] e $(i,1+i,1-i)\in \C^3$
Como o leitor deverá saber, cada entrada daquela lista ordenada entre parêntesis chama-se normalmente de coordenada.
E se tivermos infintas coordenadas? Como poderemos definir $A^\infty$ ? O problema não é assim tão trivial. Pode apetecer dizer que $A^\infty$ "é" o conjunto das sucessões de termos em $A$, ou seja, $$A^\infty=A^{\N_1}$$ Só que graças a Cantor, sabemos que "há infinitos maiores do que outros", e assim sendo, esta definição não é satisfatória.
O facto de existir $A^{\N_1}$, mostra que a ideia de "dimensão infinita" não é disparate, nem inútil.
Então, temos vários "conjuntos de dimensão infinita", que são classificados e estudados... e úteis no mundo real, não são meras abstracções matemáticas para entreter algumas mentes.
Por hoje paro aqui. Deixei "dimensão infinita" entre aspas porque de facto, não defini rigorosamente o conceito. Dei uma ideia intuitiva. O leitor mais curioso poderá investigar o assunto, questionar uma AI... ou simplesmente esperar pelo meu próximo texto.
Neste momento são 3 da manhã, e vou fazer outra coisa...
(continua num próximo post)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A "conveniente potência"

Dedico este texto a quem não gosta da convenção $0^0=1$ em séries de potências e polinómios.
Para ser honesto, também não sou o maior fã, principalmente quando temos de a usar com público com menos conhecimento.
A abordagem deste texto é informal, e não vou ser rigoroso nem mesquinho 

Um polinómio é uma expressão do tipo

\[p(x)=a_0+a_1x+a_2x^2+....+a_nx^n\] onde $n\in \N_1$. Os expoentes vão de $1$ a $n$
o $n$ chamamos grau do polinómio, e os $a_k$, com $k$ a variar entre $0$ e $n$, são elementos de uma estrutura algébrica qualquer onde se podem definir polinómios. Não interessa qual.

Como escrevi os termos de grau $1$ e grau $2$, o bom senso sugere-nos que naquela expressão $n$ é pelo menos $3$.
    Mas isso são detalhes, que nesta exposição, peço que façam o esforço de ignorar.

Se eu quiser escrever como somatório, posso escrever

\[p(x)=a_0+\sum_\limits{k=1}^{n}a_kx^k\]

Isto é chato.
Tenho mesmo de ter o $a_0$ fora do somatório?
E aqui chegamos ao problema. Como $x^0=1$ para $x\neq0$ apetece escrever
\[p(x)=\sum_\limits{k=0}^{n}a_kx^k\]

Mas e para $x=0$?
Se convencionarmos $0^0=1$ naquela fórmula, funciona!

Só que sabemos que $0^0$ não é $1$.
No texto "zero elevado a zero" do blog Z0nα Exact4, até mostro um $0^0$ a dar $2026$, e até podia ter posto aquilo a dar um número positivo qualquer.

A convenção não é confortável exactamente por isso, e compreendo que não se goste dela.
Para quem não gosta, mas ainda quer uma notação compacta, podemos definir a função "conveniente potência" (escolhi o nome de propósito para ficar com as minhas iniciais :), só que podem chamar-lhe outra coisa qualquer e usar outra notação qualquer )

\[ x^{\{ n\} } = \left\{ {\begin{array}{c} {x^n ,\text{ se }n \neq 0} \\ {1,\text{ se }n = 0} \end{array}} \right. \] E então, sem margem  para dúvidas.
\[p(x)=\sum_\limits{k=0}^{n}a_kx^{\{ k\}}\]

Se quiserem estender para expoentes negativos (por exemplo para séries de Laurent) também podem, convém é garantir que a potência está bem definida.
Obviamente, isto é só uma sugestão e até duvido que tenha sido eu o primeiro a pensar nisto. Já discuti isto várias vezes com algumas pessoas.
Pode ser um belo disparate, no entanto é uma alternativa à convenção $0^0=1$ em polinómios e séries de potências.

PS: Já agora, sim, sinto-me um pouco vigarista com isto. Só redefino a potência para evitar convenções. Não é uma solução óbvia?

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Dispensado do $\LaTeX$?

Para escrever Matemática em computador, uma das melhores soluções, e que poupa imensa memória a processadores de texto, e eu eu tenho usado para escrever fómulas neste blogue é o $\LaTeX$. É o maior consumidor de tempo para quem escreve um blogue num smartphone.
É, quero dizer, era!
Parece que eu fiquei dispensado de escrever $\LaTeX$!
Ontem escrevi isto numa folha de papel. Tirei uma foto com um smartphone e pedi a uma "AI" para transcrever em $\LaTeX$ sem acrescentar improvisos dela.
É uma dedução da fórmula fundamental da trigonometria partindo das definições com séries de Maclaurin, nada de realmente especial.
\begin{eqnarray*} {\cos x}&{=}&{ \sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m x^{2m}}{(2m)!} \quad [\text{Nesta fórmula convenciono que } 0^0=1]}\\ {\sen x}&{=}&{\sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m x^{2m+1}}{(2m+1)!}} \end{eqnarray*} Derivando, temos $$(\sen x)' = \sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m (2m+1) x^{2m}}{(2m+1)!} =\sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m (2m+1) x^{2m}}{(2m+1)(2m)!} = \sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m x^{2m}}{(2m)!} = \cos x$$ e $$(\cos x)' = \sum_{m=1}^{\infty} \frac{(-1)^m 2m x^{2m-1}}{(2m)!} = \sum_{m=1}^{\infty} \frac{(-1)^m 2m, x^{2m-1}}{(2m)(2m-1)!} = \sum_{m=1}^{\infty} \frac{(-1)^m x^{2m-1}}{(2m-1)!} = \sum_{k=0}^{\infty} \frac{(-1)^{k+1} x^{2k+1}}{(2k+1)!}$$ O último passo justifica-se com $$\boxed{(x^0)' = 1' = 0}$$ \begin{array}{|l|} \hline k = n - 1 \Rightarrow n=k+1\\ {\begin {array}{ccc} {n = k + 1}&{ \rightarrow}& {n=1\Rightarrow k = 0} \\ {}&{ }& { 2n - 1 = 2k + 1} \end{array}}\\ \hline \end{array} E então $$(\cos x)'= -\sum_{k=0}^{\infty} \frac{(-1)^k x^{2k+1}}{(2k+1)!} = -\sen x$$ Definindo $$F(x) = \cos^2 x + {\sen}^2 x$$ Temos, por derivação na variável $x$. $$F'(x) = 2 \cos x \cdot (-\sen x) + 2 \sen x \cdot \cos x = 0$$ $$\Rightarrow F(x) = \text{const}$$ como $$F(0) = \cos^2 0 + {\sen}^2 0 = 1$$ Pois $$\boxed{ \begin{aligned} \cos 0 &= \sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m 0^{2m}}{(2m)!} = \underbrace{\frac{(-1)^0 0^0}{0!}}_{=1} + \sum_{m=1}^{\infty} 0 = 1 \\ \sen 0 &= \sum_{m=0}^{\infty} \frac{(-1)^m 0^{2m+1}}{(2m+1)!} = \sum_{m=0}^{\infty} 0 = 0 \end{aligned} }$$ então $\text{const}=1$.
Ou seja $$\cos^2 x + {\sen}^2 x=1$$ para todo o valor de $x$ (...)
Só tive de alterar algumas coisas específicas para o MathJax que uso neste blogue.
Significa que afinal posso usar a actual geração de inteligencia artificial para me poupar trabalho e aumentar a produtividade...
Para quem não gosta da convenção $0^0=1$ em séries de potências e polinómios, num texto futuro proponho uma alternativa.
Neste exemplo, testei o grok da xAI e o gemini da Google. Não notei diferenças significativas.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Dia do $\pi$, 2026

 

No passado Sábado, quatorze de Março de dois mil e vinte e seis, celebrou-se mais um dia do $\pi$ (pi) e dia internacional da Matemática.

Nesse dia, no meu Pokemon Legends: Z-A, no meu canal de jogos mudei o nome de um dos meus Pikachus para $\pi\text{kachu}$ e a minha Gardevoir passou a ser Miss Maths.
Ainda renomeei a minha Mantine para miss Algebra.



Está gravado em vídeo. Foi o 314° vídeo que carreguei para o canal.
Eu sei que a estatística está desequilibrada: Tenho mais vídeos do que público. :)
Sobre Matemática e Videojogos, está prometido, que vou postar um dia.

PS:Aquele canal não é sobre Matemática, não quero enganar ninguém, mas serve-me de distracção, para aprender algumas coisas sobre edição de Vídeo e o Youtube actual.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

O binómio de Newton, a partir da derivada da potência

 No post anterior deduzi a fórmula da "derivada do produto generalizado" e com ela a derivada da potência.

Isso permite-me deduzir uma fórmula para $(a+x)^n$ com $n \in \N_0$.

Ora, $f(x)=(a+x)^n$ pode ser escrito como um polinómio de grau $n$.
Vamos lá escrever \[ f\left( x \right) = a_0 + \sum\limits_{k = 1}^n {a_k x^k } \] Para alguns números $a_k, k\in\N$.
Torna-se importante determinar os valores de cada $a_k$
Ora, conseguem-se calcular os valores de $f(x), f'(x),f''(x),... f^{(n)}(x)$.
Portanto...Podemos ter forma de o fazer! Pois \[ f\left( 0 \right) = a_0 + \sum\limits_{k = 1}^n {a_k 0^k }=a_0 \] Ou seja $a_0=f(0)$ Para determinar $a_1$ pode-se recorrer à mesma ideia, tendo em conta que \[ f'\left( x \right) = a_1 + \sum\limits_{k = 2}^n {a_k kx^{k-1} } \] Portanto \[ f'\left( 0 \right) = a_1 + \sum\limits_{k = 2}^n {a_k k^{k-1} } =a_1 \] Ou seja $a_1=f'(0)$
Pode-se continuar. \[ f''\left( x \right) = 2a_2 + \sum\limits_{k = 3}^n {a_k k\left(k-1\right)x^{k-2} } \] De onde \[ f''\left( 0 \right) = 2a_2 + \sum\limits_{k = 3}^n {a_k k\left(k-1\right)0^{k-2} }=2a_2 \] Logo $$a_2=\frc{f''(0)}{2}$$ Apareceu aqui uma fracção. Se calhar é boa ideia calcular mais alguns termos. \[ f'''\left( x \right) = 3\times2a_3 + \sum\limits_{k = 4}^n {a_k k\left(k-1\right)\left(k-2\right)x^{k-3} } \] De onde \[ f'''\left( 0 \right) = 3\times2a_3 + \sum\limits_{k = 4}^n {a_k k\left(k-1\right)\left(k-2\right)0^{k-3}=3\times2a_3 } \] Logo $$a_3=\frc{f'''(0)}{3\times2}$$ Continuando, conseguimos provar que $$a_k=\frc{f^{(k)}(0)}{k!}$$ E portanto \[ f(x)=f(0)+\sum\limits_{k=1}^n{\frc{f^{(k)}(0)}{k!}x^k}\] Que é aquilo a que normalmente se chama expansão em polinómio de MacLaurin de grau $n$ da função $f$.
Portanto, basta-nos calcular $f(0),f'(0),f''(0),...,f^{(n)}(0)$. Comecemos pelo cálculo da derivada de ordem $k$ de $(a+x)^n$ \begin{eqnarray*} {f(x)}&{=}&{(a+x)^n}\\ {f'(x)}&{=}&{n(a+x)^{n-1}}\\ {f''(x)}&{=}&{n(n-1)(a+x)^{n-2}}\\ {f'''(x)}&{=}&{n(n-1)(n-2)(a+x)^{n-3}}\\ {}&{\vdots}&{}\\ {f^{(k)}(x)}&{=}&{n(n-1)(n-2)\cdots(n-k+1)(a+x)^{n-k}}\\ {}&{\vdots}&{}\\ {f^{(n)}(0)}&{=}&{n!} \end{eqnarray*} Portanto \begin{eqnarray*} {f(0)}&{=}&{a^n}\\ {f'(0)}&{=}&{n\times a^{n-1}}\\ {f''(0)}&{=}&{n(n-1)a^{n-2}}\\ {f'''(0)}&{=}&{n(n-1)(n-2)a^{n-3}}\\ {}&{\vdots}&{}\\ {f^{(k)}(0)}&{=}&{n(n-1)(n-2)\cdots(n-k+1)a^{n-k}}\\ {}&{=}&{n(n-1)(n-2)\cdots(n-k+1)\frc{\left(n-k\right)!}{\left(n-k\right)!}a^{n-k}}\\ {}&{=}&{\frc{n!}{\left(n-k\right)!}} \end{eqnarray*} Assim sendo \[ f(x)=f(0)+\sum\limits_{k=1}^n{\frc{f^{(k)}(0)}{k!}x^k}=a^n+\sum\limits_{k=1}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{n-k}x^k}\] Para $x\neq0$ até se pode escrever \[(a+x)^n=\sum\limits_{k=0}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{n-k}x^k}\] Se convencionarmos que nesta fórmula $0^0=1$ então \[(a+b)^n=\sum\limits_{k=0}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{n-k}b^k}\] Que é uma conhecida fórmula para o binómio de Newton
Note-se que $(a+b)^n=(b+a)^n$ pois a adição é comutativa. Isso significa que \[ (a+b)^n=(b+a)^n=\sum\limits_{k=0}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{n-k}b^k}=\sum\limits_{k=0}^n{\frc{n!}{\left(n-k\right)!k!}a^{k}b^{n-k}} \] E, por exemplo, torna bastante estúpido falar em "o" termo de ordem $j$ do desenvolvimento do binómio de Newton.
PS: Sobre $0^0$ : Z0nα Exact4: Zero elevado a zero.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Derivada do produto generalizado

 Recentemente recebi uma dúvida que se respondia com

\[\left(fgh\right)'=f'gh+fg'h+fgh'\]

A fórmula está no formulário de derivação que deixei no blog Z0nα Exact4, e até se deduz rapidamente, mesmo mentalmente.

 Sabendo que $(fg)'=f'g+fg'$ então

\begin{eqnarray*} {(fgh)'}&{=}&{(f(gh))'}\\ {}&{=}&{f'(gh)+f(gh)'}\\ {}&{=}&{f'gh+f(g'h+gh')}\\ {}&{=}&{f'gh+fg'h+fgh'} \end{eqnarray*} 

$\blacksquare$ 

 Uma forma de memorizar é lembrar-se "deriva-se uma de cada vez".
Mas a regra é válida para $n$ funções deriváveis, num corpo ($\R$ ou $\C$), com $n\in \N_1$ \[ \left( {f_1 f_2 ...f_n } \right)^\prime = f_1 ^\prime f_2 ...f_n + f_1 f_2 ^\prime ...f_n + \cdots + f_1 f_2 ...f_n ^\prime \] Ou, mais precisamente

\[ \left( {\prod\limits_{k = 1}^n {f_k } } \right)^\prime = \sum\limits_{i = 1}^n {\left( {\prod\limits_{k = 1}^n {D^{\delta _{ik} } f_k } } \right)} \] onde $\delta$ é o delta de Kronecker \[ \delta _{ij} = \left\{ {\begin{array}{c} {1,\text{se }i = j} \\ {0,\text{se }i \neq j} \end{array}} \right. \] e \[ D^\alpha f = \left\{ {\begin{array}{c} {f,\text{se }\alpha = 0} \\ {\frc{{d^\alpha f}}{{dx^\alpha }},\text{se }\alpha \neq 0} \\ \end{array}} \right. \]
A fórmula da derivada do produto generalizado prova-se recorrendo a indução matemática, deixo como exercício para o leitor interessado.
Pode ser usada para provar a conhecida fórmula: \[ \left( {x^n } \right)^\prime = nx^{n - 1} \] Prova: \[ \left( {x^n } \right)^\prime = \left( {\prod\limits_{k = 1}^n x } \right)^\prime = \sum\limits_{i = 1}^n {\left( {\prod\limits_{k = 1}^n {D^{\delta _{ik} } x} } \right)} = \sum\limits_{i = 1}^n {\left( {\prod\limits_{k = 1}^{n - 1} x } \right)} = \sum\limits_{i = 1}^n {x^{n - 1} } = nx^{n - 1} \]

$\blacksquare$ 

e pela regra de derivação da função composta: \[ \left( {f^n } \right)^\prime = nf^{n - 1} f' \] onde $f$ é função escalar,derivável, definida no tal corpo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Spoiler...

 https://www.facebook.com/share/r/1Ev6bvsePo/

Este é um assunto que inincialmente eu tinha descartado, mas, um email do professor Filipe Oliveira convenceu-me a trazê-lo para aqui...
Vou mostrar a minha abordagem ao assunto. Desconheço se já foi abordada desta forma em algum lado... mas sem pressas. 

Vou escrever num bloco de notas e depois copiar para aqui, para evitar chatices.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Python, bom senso e calculadoras. (II)

Como pedir a variável A, inteira ao utilizador?
Casio Basic:TI Basic:Python
"A="?->A:Int A->APrompt A:Int A->Aa=int(input("a="))

Python é aquela em que se usam mais caracteres/tokens...

Eu há vários anos que tenho alguns problemas em que as calculadoras (gráficas, programáveis) sejam utilizadas exclusivamente para o ensino.
Eu sempre gostei das Casio, mas...tenho estado a consultar informações sobre a nova Casio fx-CG100 e... :/ se removeram o Basic e deixaram o Python, esta máquina leva um cartão vermelho meu.
 Passo a preferir a Numworks (...) !
Penso que Matemática não deve ser o lugar para se ensinar a programar nem impor uma linguagem de programação, deve-se usar, não impor, porque linguagens informáticas mudam muito por vários motivos, são modas (metafóricas).
As calculadoras, por mim, deviam ter liberdade de escolha na linguagem, várias à escolha, incluindo linguagens fora de moda mas com potencial, e actualizadas
 (Basic sem sequer poder definir funções está muito longe de ser actual ou sequer recomendável, mas tem os seus prós ).
É uma opinião minha, não é lei nem imposição.
Eu consigo converter o meu (longo) arquivo pessoal de 30 anos de Casio Basic para Python... (Vou acabar a fazê-lo para a minha Numworks).
 Posso falar dele...
No caso das Casio, é desmoralizante porque perdem algo que sempre tiveram: Retrocompatibilidade!
Perdendo isso, vão ter de trabalhar para me reconquistar (Até compreendo, não faço parte do público alvo deles )...
Casio Basic tem uma coisa fantástica: usa as próprias funções e variáveis da calculadora.
Tal como o bash ou qualquer shellscript em Linux usa tudo o que o Linux tem disponível. É dificil fazer melhor do que isto.
MicroPython usa... MicroPython.
Há uma certa miopia muito pouco saudável em ver Python à frente.
O problema não é o Python. É esta miopia...
Python tem os seus problemas, tal como todas as linguagens.
 Por agora, não me interessa falar daqueles específicos do Python. O maior problema está em impor Python em calculadoras (de todas as marcas), com teclado em ordem alfabética, por causa do tal "pensamento computacional". (!!!)

 Pensamento computacional não é mau, já devia ser ensinado há 30 anos... mas isso é assunto para outro post.

PS:
  • O vídeo que partilhei tem alguns erros... quem usa a CG20 ou a CG50 consegue confirmar.
  • O professor Manuel Marques (da iniciativa Casio +) está a partilhar alguns vídeos de curta duração, e melhores que muitos cursos "oficiais", com uma breve introdução ao micropython das calculadoras. Ele está a fazer aquilo num emulador de CG50 mas aquilo é 'igual' em calculadoras de outras marcas que usem Python, e até no Python que se usa em computadores. Recomendo. Ele tem tido comentários desactivados, mas como eu tenho alguns canais youtube, compreendo e suporto a decisão
      https://youtube.com/@manuelmarques4761.
     Obviamente ele não vai dar um curso de Python ali. Vejam aquilo como um tutorial de introdução, e não como algo específico para calculadoras Casio.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A quantificação da dor

 A quantificação rigorosa da dor é feita através de escalas validadas (numéricas, visuais ou multidimensionais) que permitem medir intensidade, qualidade e impacto da dor na vida do paciente.

Em Portugal, a dor é considerada o 5.º sinal vital, devendo ser avaliada e registada sistematicamente.

A dor como 5º Sinal Vital (DGS - Comissão nacional de controlo da dor)

Sofrendo eu de dores crónicas, o assunto passou a interessar-me. Não do ponto de vista neurológico, académico, mas de um ponto de vista... matemático, rigoroso.

A dor chega a ser incapacitante, ao ponto de, no meu caso, após tomar medicação, eu sincronizar o ponto em que a dor é mais fraca com a hora em que vou dormir, caso contrário, não durmo.

Não existe um “instrumento físico” que meça a dor como um termómetro mede a temperatura. A dor é subjectiva e multidimensional, mas há instrumentos clínicos validados que permitem quantificá-la de forma rigorosa e comparável, combinando escalas numéricas, visuais e questionários multidimensionais
(fonte: o site da dor)

A forma mais rigorosa de medir a dor hoje é através de instrumentos multidimensionais validados como o questionário de McGill ou Brief Pain Inventory (BPI), que combinam intensidade, qualidade e impacto funcional. Embora não sejam “objetivos” como um termómetro, são considerados cientificamente robustos e permitem monitorizar a dor de forma sistemática e comparável.
Não captam toda a complexidade da função “dor”, mas fornecem variáveis fiáveis para análise e acompanhamento clínico.

Há formas de converter estes questionários em dados numéricos para análise estatística.

Como paciente, confio nos profissionais que me acompanham.
Como matemático... não sou fã disto, sei que é o que há, no entanto sempre que a dor abusa, o assunto regressa à minha mente...
Imagens criadas com Microsoft Copilot.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Python, bom senso e Calculadoras

 


Há vários anos que tenho alguns problemas com a forma como as calculadoras são usadas no ensino. Tornaram-se obrigatórias, são mais baratas do que a maioria dos smartphones que os alunos usam — e, ainda assim, ficam muito atrás deles.

Agora… todas “têm de ter Python”. (???)

Como já referi antes, não gosto da ideia de usar calculadoras programáveis em que o código útil e prático tem de ser escrito num computador e não directamente na máquina.

O programa de geometria do texto anterior foi totalmente escrito na calculadora, em Basic.

Fazer isso em Python é hercúleo e pouco prático.

Não tenho nada contra escrever e correr Python num computador, ou até num smartphone.

Mas não é prático ter de recorrer a um computador para escrever código para uma calculadora.

A verdadeira ideia de uma calculadora é ser usada para resolver problemas on the fly. Isso pode incluir escrever código directamente nela — e nenhuma das calculadoras actuais é prática nesse aspecto (relativamente a Python). Para isso, prefiro um tablet, um smartphone ou um computador.

No meu caso, que tenho dores crónicas, o Basic das Casio e Texas Instruments é muito mais prático que o Python num PC.

O código do programa do texto anterior foi escrito directamente na calculadora, comigo deitado, depois de ter deduzido as fórmulas com papel e lápis!

Eu escrevo Python e Bash remotamente num terminal no meu smartphone, ligado via Wifi a um dos meus Raspberry Pis (são single board computers, por isso para mim têm género masculino).

Mas não nas minhas calculadoras.

O problema não é o Python.

É tentarem impor o Python em calculadoras numa sociedade onde já existem tablets, smartphones… e Raspberry Pis.

Nas calculadoras, o Basic ainda é a linguagem mais prática para escrever directamente na máquina.

Se querem mesmo que o Python se torne mais interessante nelas, repensem as calculadoras.

Não é só impor Python à força por ser a linguagem da moda e esperar que tudo corra bem…


PS: Eu tenho acompanhado vários canais (sobre python em calculadoras) em várias redes sociais.
Até 14/12/2025, nenhum me convenceu do contrário.
Por motivos que não são para aqui chamados, eu partilho os meus programas com poucas pessoas. Alguns (muito poucos) estão online, num site cujo link está ali ao lado->.
Outros, acabam em vídeo... como este:https://www.youtube.com/shorts/aFTrHnEt06Q
ou este: https://youtu.be/W-h4I0Ff4Cc?si=dIpK9txUgsfi_EWv Agora... programar python para calculadoras... programo. Sem qualquer problema. Na calculadora?... Bem, sou muito mais eficiente a escrever Basic na calculadora do que a escrever Python. Até porque são mais de 30 anos de experiência em Basic.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Problemas de geometria clássica em geometria analítica

 Por estes dias, nos intervalos das minhas noites como enfermeiro, quando as minhas dores vão incomodam muito, ando a revisitar/modificar alguns dos meus programas de calculadora.

Em particular, um cuja última versão era de 2014, na minha Casio fx-9860GII SD em que dados 3 pontos do plano, dá as coordenadas de circuncentro, incentro, ortocentro, baricentro, do triângulo cujos vértices são esses pontos. Ainda dá os raios das circunferências inscrita e circunscrita ao triângulo, e ainda desenha o triângulo e essas circunferências.

Para escrever o código na altura eu deduzi as fórmulas para as coordenadas de incentro e circuncentro.
Penso que devem reencontrar as deduções nos meus blogues anteriores, mas um dia deixo para aqui as fórmulas dessas coisas. Para ortocentro e baricentro, limitei-me a recorrer aos métodos geométricos e escrevê-los algebricamente na calculadora.

Agora juntei algo óbvio: determinar a área e o perímetro desse triângulo, assim como os ângulos internos. E ainda algo novo: dados os pontos $A,B$ e $C$. quais as coordenadas dos centros e raios das circunferências que passam em $A$ e são tangentes a $BC$ em $B$ e em $C$.
 [Para quê? Isso fica no segredo dos deuses]

Tendo em conta o que eu acabei de escrever, é óbvio que eu sei calcular  e desenhar tudo isso com papel e lápis. 

Por isso, vou propor este exercício:

Considere os pontos $A(-1,-2)$; $B(2,3)$ e $C(0,5)$.

Determine:

a) As coordenadas do circuncentro de $\Delta[ABC]$ e o raio da circunferência circunscrita ao triângulo

b) As coordenadas do incentro de $\Delta[ABC]$ e o raio da circunferência inscrita ao triângulo

c) As coordenadas do Baricentro de $\Delta[ABC]$

d)As coordenadas do Ortocentro de $\Delta[ABC]$

e) A área e o perímetro de $\Delta[ABC]$

f)As equações reduzidas das circunferências que passam em $A$ e são tangentes a $BC$ em $B$ e em $C$.

g) Valores aproximados para os angulos internos de $\Delta[ABC]$.

Acredito que depois de terem calculado isto tudo à mão sem eu ter dado as soluções o leitor percebe porque dá jeito ter uma ferramenta tecnológica que o faça... nem que seja para confirmar cálculos. Sem o meu programa de calculadora, hoje em dia poderá recorrer a ferramentas como o geogebra...

Eu vou convertê-lo para TI-84Plus CE.
O código não é Python.
É basic.

 Eventualmente vou escrever uma versão python para a minha numworks, e uma em Mathematica para ter à mão nos meus raspberrypi.

Quanto às soluções...deixo-as um dia.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Imprecisões científicas

 Num post recente eu referi que 'imaginários' são um péssimo nome para coisas que existem ema Matemática. Só que,  designações 'péssimas'  não são um exclusivo da Matemática.

Um 'Buraco negro' não é um buraco. Aliás nos anos 50-60, na ficção cientifico até lhe chamavam 'Estrela negra' porque pensaram no assunto como se fosse uma estrela com tanta massa que nem a luz escapava à sua gravidade (!). Tenho a vaga ideia de ter ouvido James T. Kirk usar a designação num dos episódios originais de Star Trek.

Mas o conceito considerado correcto já existia antes. "Frozen star", "Collapsed star", "Gravitationally completely collapsed star"...

A designação "buraco negro" foi popularizada por John Archibald Wheeler, orientador e colaborador de Richard Feynman.

 Wheeler escolheu-a por ser curta, visual e transmitir bem a ideia de uma região de onde nem a luz escapa.

Mas o conceito é mais antigo (vem do século XIX com Michell e Laplace, e depois com Schwarzschild em 1916), mas a designação “buraco negro” é de Wheeler.

Já ouviram falar em "universos paralelos"? Aquele paralelismo é metafórico.

 Não é geométrico!

Tenho ali uma National Geographic, e um vídeo com Neil deGrasse Tyson onde dizem que o problema dos 3 corpos é 'irresoluvel'. Atenção: o senhor Tyson também não é um vigarista.

Consegue-se resolver o problema em casos particulares. Até eu consegui obter soluções analíticas. Os chamados pontos de Lagrange são pontos que, cada um deles junto a uma solucão de um problema de dois corpos dão uma solucao para o problema dos 3 corpos. Eu também estou a simplificar de forma um bocado abusiva este caso. O que se passa é que na verdade o problema não é literalmente irresoluvel.

Não existe é uma 'solução fechada' para o caso geral. Mas existem para casos particulares.

Eu sou matemático e não astrofísico, ou sequer físico.  Este problema consegue formular-se como um sistema de equações diferenciais ordinárias, e então aí entro eu.

 Por isso, conheço este problema um bocadinho melhor.

Tenciono voltar a falar deste problema no futuro. Até é mais giro com equacões, gráficos e animações. Este até foi engracado, porque foi o problema que me introduziu à versão da análise numérica do estudo de sistemas de equacões diferenciais, que não estudei na minha licenciatura...

Na altura tive de fabricar solucões analiticas para confirmar que os meus métodos numéricos funcionavam.

A título de curiosidade, quem me apresentou o problema foi o professor Jorge Buescu na primeira metade de 2008.

Voltando ao assunto, há muitos mais nomes científicamente maus. Até os populares 'matéria escura' e 'energia escura'.

Nomes que induzem em erro, em muita venda de banha de cobra... e assuntos para outros textos neste blog.



sábado, 20 de setembro de 2025

Progressões geométricas na vida real

 Uma pergunta que já toda a gente que de alguma forma está associada ao ensino de Matemática já ouviu é 'para que é que isto serve'?

A resposta mais óbvia é: "Neste momento, para passar esta disciplina/cadeira.

Resposta parva, mas verdadeira. Só que cada caso é  um caso.

No caso das progressões geométricas, em explicações, eu usei muitas vezes a lenda da criação do xadrez, fractais – sim, com C– gerados por mim, em calculadoras, softwares computacionais, tabelas de folhas de calculo com problemas de juros.

Em finais de Janeiro de 2020, Fevereiro de 2020... Apareceu o Covid-19. Na altura não lhe dei atenção. Parecia-me o tipo de alarmismo de click-bait ou de jornal sensacionalista. Mas as notícias de repente estavam em todo o lado.

Olhando para os números de pessoas infectadas,vi uma sucessão crescente. O ritmo de crescimento diário levou-me a copiar os números para uma folha de cálculo e...

Aquilo  era o tipo de coisas que eu sempre tinha visto em livros e não na vida real.

Pela segunda vez na vida estava a ver ficcão tornar-se realidade. A primeira vez foi a 11 de Setembro de 2001, em que ligando a TV, ao ver os aviões a bater nas Torres gémeas pensei "que efeitos especiais fantásticos", que filme é este? Só que não era filme. Era noticia em todo o lado.

Em 2020.... aquele crescimento era uma progressão geométrica. E como eu até à altura dizia aos meus alunos e explicandos: "As progressões geométricas quando crescem, não crescem, explodem."

Aqueles números estavam em progressão geométrica, de razão 1.4 (Já não me recordo se a cada dia ou a cada dois dias... um dia revejo e actualizo este texto).

A progressão geométrica é uma versão discreta de algo que em Matemática que se chama função exponencial.

Afinal o alarmismo, tinha razão de ser. Com aqueles dados na mão, o que qualquer pessoa responsável tinha de fazer era comunicar ao país.

E foi o que fez o professor Jorge Buescu. Teve a coragem de o fazer na altura, correndo o grande risco de ser ridicularizado, insultado e todo o tipo de infortúnios que vem com a decisão.
Aquele alerta teve mesmo de ser feito! Estava em risco o colapso de todos os sistemas de saúde do país.

No 4o ano da minha Licenciatura tive uma cadeira que no meu certificado de habilitações consta como 'opcão ' e que na verdade eu não a escolhi, e nunca a escolheria nem com uma pistola apontada à cabeça.
Mas nessa cadeira aprendi um "método do Simplex para variáveis limitadas", onde éramos confrontados com problemas de optimização linear com várias variáveis, todas limitadas, isto é, cada uma entre dois valores.

O conceito de 'variável limitada', na verdade, é muito realista. Mesmo fora daquela área.

 Todos os recursos do planeta são limitados. Por maiores que sejam.
Uma consequência disto é: nada que funcione com progressões geométricas crescentes é sustentável na vida real.

Em particular, na Economia. 

Existem esquemas 'de lucro fácil' que em Portugal e muitos países são ilegais:  Esquemas em pirâmide. E têm uma progressão geométrica descarada: cada pessoa que entra tem de trazer outras pessoas para o esquema. Todos têm  de contribuir!!!

Não é preciso ser matemático para perceber que há qualquer coisa a funcionar mal neste esquema, é? Tanto as quantidades de pessoas como a quantidade de dinheiro disponível no planeta são limitados. Incluindo o (dinheiro) falso.

Portanto... um matemático que entre num esquema destes ou é um vigarista, ou foi formado por incompetentes.


Aqui na Madeira, depois do esquema TelexFree, (de que já falei e analisei noutros blogs) a situação é bem mais grave.

E se eu vos disser que... um dia, alguns ex-alunos meus, que não se conhecem entre si, que foram alunos meus durante no mínimo 3, e os mais velhos, 6 ou mais anos foram assediados para um esquema destes, por alguém... de Matemática?

Como se sentirá um aluno ao entrar numa sala de aula e ver à frente, como professor, alguém que o tentou meter num esquema em pirâmide?

Não estamos a falar de alunos que eu conheci num semestre e foram embora. Estamos a falar de alunos que me aturaram durante 6 a 12 semestres, e ainda entram em contacto hoje em  dia.

'Em que é que vou usar isto'?
Pode-se usar, por exemplo, para reconhecer pandemias... incompetentes e vigaristas.

A legislação pode falhar. Mas a Matemática não!


PS: de momento não estou a dar explicações, mas posso fazer trabalho de consultadoria matemática. Passo recibo... por enquanto como explicador, depois investigo o melhor quadro legal da coisa.
Se já há "personal trainers" de Matemática, isto parece-me bem mais legítimo, e ajuda-me a pagar contas.
Se está a ler este blog e quer saber mais sobre progressões geométricas ... pesquise. Com sorte até encontra algo escrito por mim.


Revisões
  • 26/09/2025-Pequenas Correcções de texto